Atualização do Programa OEA 2026: Modernização, Novos Níveis e Diferimento de Tributos

A Receita Federal do Brasil apresentou, em fevereiro de 2026, a proposta de atualização das normas do Programa Operador Econômico Autorizado (OEA), marcando um novo ciclo de modernização da política de conformidade aduaneira no país.

A iniciativa fortalece o OEA como instrumento estratégico de gestão de riscos, compliance aduaneiro e tributário, segurança jurídica e competitividade no comércio exterior, alinhando o modelo brasileiro às melhores práticas internacionais e às recentes alterações legislativas.

As mudanças foram divulgadas por meio de minutas normativas e da proposta de um Teste de Procedimentos para diferimento de tributos na importação, permitindo que o mercado avalie previamente os impactos sobre importadores, exportadores e operadores da cadeia logística internacional.

Visão Estratégica da Atualização OEA 2026

A revisão normativa tem como principais objetivos:

  • Modernizar a estrutura do Programa OEA;
  • Criar níveis de certificação proporcionais ao grau de conformidade;
  • Estimular práticas robustas de compliance aduaneiro e tributário;
  • Ampliar a atratividade para importadores e exportadores;
  • Implementar benefícios estruturais, como o diferimento de tributos na importação.

A proposta também adequa o programa às disposições das Leis Complementares nº 214/2025 e nº 225/2026, incluindo critérios mais rigorosos relacionados à vedação de ingresso e permanência de devedores contumazes.

Novos Níveis de Certificação OEA

A atualização reorganiza o programa em dois níveis principais:

🔹 OEA – Conformidade Essencial

Voltado especialmente para empresas comerciais exportadoras, com:

  • Critérios objetivos e verificáveis;
  • Avaliação automatizada;
  • Monitoramento contínuo da conformidade.

🔹 OEA – Conformidade de Excelência

Destinado a operadores com elevado grau de maturidade em compliance, incluindo empresas já certificadas como OEA-C e participantes de programas reconhecidos pela Receita Federal.

Este nível passa a ser estratégico, pois viabiliza o acesso ao diferimento do pagamento de tributos na importação, um dos benefícios mais relevantes da atualização.

Principais Benefícios do OEA Atualizado

A proposta mantém benefícios tradicionais e amplia seu alcance:

Possibilidade de diferimento de tributos na importação.

Redução de intervenções e conferências aduaneiras;

Maior agilidade no desembaraço aduaneiro;

Tratamento diferenciado em regimes aduaneiros especiais;

Simplificação ou dispensa de garantias;

Reconhecimento institucional perante autoridades e mercado;

Participação em fóruns consultivos com a administração aduaneira;

Ampliação do reconhecimento mútuo internacional;

Teste de Procedimentos para Diferimento de Tributos

Paralelamente à nova Instrução Normativa do OEA, foi proposta uma Portaria para implementação de um projeto piloto com foco no diferimento tributário.

Objetivo

Validar procedimentos operacionais, sistêmicos e de controle antes da implementação definitiva, garantindo segurança jurídica e operacional.

Participantes

Operadores certificados como OEA-Conformidade de Excelência, selecionados com base em critérios técnicos.

Tributos Abrangidos

  • Imposto de Importação (II);
  • IPI vinculado à importação;
  • PIS/Pasep-Importação;
  • Cofins-Importação;
  • Outros tributos incidentes na importação, conforme aplicável.

Forma de Recolhimento

Pagamento em data posterior ao desembaraço aduaneiro, geralmente até o 20º dia do mês subsequente.

Duração

180 dias, podendo ser prorrogado.

Impactos Estratégicos para as Empresas

A atualização do OEA 2026 consolida o programa como ferramenta estratégica de alto desempenho no comércio exterior.

Principais impactos esperados:

Fortalecimento da governança corporativa.

Melhoria do fluxo de caixa para importadores;

Redução de custos indiretos e riscos operacionais;

Integração entre compliance aduaneiro, tributário e gestão de riscos;

Diferenciação competitiva no mercado internacional;

Conclusão

A atualização do Programa OEA representa uma mudança de paradigma: mais confiança para empresas conformes e mais eficiência para o comércio exterior brasileiro.

Para operadores que atuam com importação e exportação, este é um momento estratégico para:

  • Avaliar o nível atual de maturidade em compliance;
  • Estruturar controles internos mais robustos;
  • Preparar-se para os novos critérios de certificação;
  • Posicionar-se para usufruir dos benefícios tributários e operacionais.

As minutas estão em fase de discussão técnica e ainda não produzem efeitos jurídicos até a publicação definitiva dos atos normativos.